Artigos, term papers e trabalhos de comunicação política

04/09/2007

Interface política e comunicação

(Interface - limite comum a dois sistemas permitindo a troca entre eles - trocas de informação)

A comunicação política é um objecto de estudo difícil de delimitar porque ela própria se apoia em conceitos eles-próprios.

02/09/2007

O Objecto Difuso

Substrato teórico da análise: a modernização técnica do espaço público político - os efeitos da comunicação política postos em causa.
Concentrar-nos-emos em quatro concepções da comunicação política. Sem necessariamente ser adepto de um determinismo técnico à Mac Luhan, convém considerar a ideia de que os média modificam as condições em que se desenrola o jogo político. A partir desta transformação induzida pela difusão/inovação tecnológica, construiu-se rapidamente um discurso frágil sobre a comunicação política associada a uma tecnologia inovadora. Nada é mais redutor e duvidoso do que fazer passar por uma nova tecnologia aquilo que o homem pensou há muito tempo como uma questão e uma condição de participação na polis.
O desenvolvimento da publicidade comercial, do marketing e das relações públicas; o recurso às técnicas de inquérito como sondagens e análises qualitativas, a difusão massiva de mensagens políticas difundidas pelos média concorreram para a emergência de uma indústria política à qual se associa hoje facilmente a comunicação política.
1 - Concepção instrumental (se bem que raramente explícita e redutora, instala-se) repousa no essencial sobre uma visão onde a comunicação política é constituída pelo conjunto das técnicas e procedimentos de que dispõem os actores políticos, normalmente os governantes; seduzir, gerir e habilmente manobrar a opinião. Esta representação, na minha concepção, mutila quer a comunicação, quer a política, principalmente porque as dissocia, separa-as; ela projecta uma condição técnica da primeira sobre uma condição manipulatória da segunda. É portanto, uma concepção tecnocrática do problema da comunicação política, principalmente considerada como a habilidade de gerir uma imagem. Nesta lógica redutora, alguns vão mesmo ao ponto de assimilar comunicação e marketing político e a considerar a nova comunicação política como o produto de três técnicas: a televisão, as sondagens e a publicidade. [Cayrol, 1986]. Esta assimilação é 'suavemente' secundada de uma crítica das relações e derivas que aquelas técnicas podem ocasionar. [Cayrol 1997].
Aquilo que se pode aceitar nesta simplificação é que a comunicação política enquanto objecto de discussão em moda, deve muito a estas técnicas e ao fascínio que elas exercem também sobre os homens políticos e sobre o grande público. Nesta perspectiva, a comunicação política gravita à volta do domínio na utilização destes instrumentos, mais particularmente na junção de técnicas de observação social e de técnicas de promoção e difusão que asseguram a dominação dos governantes sobre os governados. Se não há dúvidas sobre a existência de tais formas de comunicação, já a sua pretensão em esgotar aqui a questão deve ser contestada! A esta visão instrumental, opõe-se uma
2) Visão ecuménica da comunicação política definida como "um processo interactivo concernando a transmissão de informação entre actores políticos, os meios de informação e o público" [Norris 2000]. Aqui aproximamo-nos de uma representação sistemática onde dominam o funcionalismo e a circulação de ideias sem entraves da comunicação e a ausência de relações de força entre os protagonistas. "... a troca de informação entre governantes e governados por canais de transmissão estruturados ou informais." [J-M. Cotteret, 73]. Pelo menos neste caso, a primeira dicotomia tem o mérito de não evitar/fintar a relação de dominação. O inconveniente nesta noção de troca comunicacional é que aponta em direcção de uma comunicação mais simétrica do que complementar e como tal, não validar as disparidades de natureza e alguns entraves/constrangimentos na execução de dita troca. Dito de outra forma, na concepção ecuménica tudo se passa como se a igualdade presidisse ao cumprimento das trocas comunicacionais com a agravante de uma indeterminação conceptual, face aos dois intervenientes, quanto à natureza da comunicação transmitida. O discurso do Chefe de Estado tem o mesmo impacto comunicacional que uma manifestação local dos assalariados de uma fábrica em vias de encerramento?
A menos que a segunda seja considerada como 'transmissão de informação' e que o movimento de protesto não-institucionalizado não constitua uma mensagem política! Isto significaria que não existe comunicação política que não seja legal e convencional. Por outro lado, duvida-se se se trata apenas de uma troca de informação entre os actores intervenientes. Sabemos a priori que outros bens simbólicos estão em causa como a imagem, as representações, as preferências, etc. . De qualquer forma, transporta-se para um outro estádio a presença e insistência sobre a noção de troca. Numa obra recente que se apresenta como 'O Primeiro Manual Avançado de Comunicação Política', que tem por ambição apresentar "um conjuntode saberes, manobras e perspectivas" editado pela [Gringas 2003], encontra-se como única definição explícita de comunicação política a seguinte frase: "... é a gestão do poder fundado na troca.", ou seja, "o estudo do espaço público onde se exercem as dinâmicas do poder em todas as suas formas.", observamos aqui uma aproximação a [Wolton 1989], que considera a comunicação política um "espaço onde se trocam discursos contraditórios de três actores que têm a legitimidade de se exprimir publicamente sobre a política, isto é: os homens políticos, os jornalistas e a opinião pública através de sondagens." Aqui presume-se, através da noção de troca, que existe uma verdadeira reacção dos actores uns face aos outros. Sabe-se que esta reacção é, no mínimo imperfeita, mas existente. No entanto, ela pode ser imprevisível, estrategicamente antecipada ou então claramente simulada quando se trata de entidades oficiais [Gerstlé 2003]. Nesta solução de natureza da troca, não encontramos a legitimidade suficiente para a restringir a três actores eliminando todos os outros. Noutros termos, esta definição emana uma forte perspectiva elitista que traduz bem a asserção do escritor Paul Valéry "a política é a arte de impedir os cidadãos/indivíduos de se preocuparem/ocuparem daquilo que lhes diz respeito". No seguinto deste postulado, passamos à
3) Concepção competitiva da comunicação política, a qual [Jey G. Blumler 1990] descreve como sendo "uma competição para influênciar e controlar, graças aos principais médias, as percepções públicas dos acontecimentos nacionais e sua envolvência." Passa-se da troca indeterminada à luta explícita pelo controlo das representações colectivas, concedendo-se aos média uma entrada espectacular neste processo. Esta definição apresenta, entre outros, o mérito de abordar e sublinhar o papel central do cognitivo e do simbólico nos processos políticos e assim de reaproximar conflito e cooperação por um lado, a contrução de sentido por outro, insistindo na intromissão dos média nesta interacção.
4) Concepção deliberativa, que alguns não hesitam em conjugar com a fascinação tecnológica [B. Barber] conduz parcialmente a um retorno à revolução intelectual grega do V século A.C.: "A comunicação e a política são consubstanciais" [Gerstlé 1987]. É na discussão, no debate colectivo que se encontram as condições para uma democracia alargada onde a inclusão dos cidadãos, em número maioritário (a partir do momento em que se dissolvem os critérios de género, título e idade, por exemplo) permite a formação de um autêntico espaço público. Inspirado por uma teoria normativa da democracia, [Joshua Cohen 1989] escreve: "a noção de democracia deliberativa enraíza-se num ideal intuitivo de uma associação democrática na qual a justificação dos termos e condições de associação precede de uma argumentação e de um raciocínio público de cidadãos iguais. Os cidadãos, numa tal ordem, partilham um compromisso comum com vista à resolução dos problemas de escolha colectivos através de uma consciência pública, e consideram as suas instituições de base legítimas na medida em que elas establecem um quadro favorável a uma deliberação pública livre."

01/09/2007

INTRODUçÃO

A história e a sociologia demonstram que por vezes determinados objectos de investigaçao seguem um rumo curioso. A comunicaçao política faz parte destes que seguem seguramente uma trajectória diferente, diríamos mesmo, estranha! Estamos perante um objecto de investigaçao considerado como ilegítimo, trivial; para alguns mesmo inexistente. A problemática que se coloca neste momento da história evolutiva desta disciplina é sobretudo estimulada pela curiosidade que a mesma desperta e estimula mesmo se, ela é mais solicitada com entusiamo pela comunicação do que pelas vicissitudes da política.
Argumenta-se com à vontade por todo o mundo democrático da crise da representação política, da decepção democrática, da desordem eleitoral (alguns alinhados em torno da crise do sistema) ou do antipolitismo uma vez que a influência, a explosão, a revolução mesmo da noção de culto são associados à comunicação। Mesmo em presença de uma sociologia crítica e vivaz da comunicação, devemo-nos interrogar contudo, sobre a hipotética existência de uma correlação negativa entre estas duas disciplinas que poderá implicar ou até indicar um sinal de causalidade. Com pequenos e pontuais apontamentos, tentaremos dimensionar o assunto porque, um objectivo tão aberto quanto generalista implica uma acepção de recuo histórico, o que aqui não é o nosso objectivo primordial. A comunicação hoje interessa a toda a gente; basta para tal observarmos os sinais de reconhecimento social. No país dos jacobinos, o exemplo de tal importância é dado pela institucionalização na cúpula do Estado, onde a visibilidade é incontestável. A sociedade também compreendeu este fenónemo e converteu-se. A comunicação ganha relevo nas fileiras académicas, nas rubricas dos jornais quotidianos; a génese de uma imprensa especialisada, a criação de profissionais e estruturas dedicados à sua gestão nos sectores público e privado. Alguns autores vão mesmo mais longe e não hesitam em afirmar que a revolução das tecnologias de comunicação no séc. XX terá uma amplitude comparável à revolução insdustrial do século precedente - a sociedade pós-industrial transforma-se numa sociedade de informação ou de comunicação. Os economistas, como Porat, confirmam esta transformação a partir do momento em que propõem a substituiçâo da clássica teoria classificativa das actividades à dicotomia da produção material e imaterial.
A percentagem de população activa e a parte substancial de dejectos provocados pelos bens imateriais, provam entre outro, que assisitmos a profundas mudanças que afectam as sociedades tecnologicamente avançadas. Se os média mudam as formas societais (trabalho, ensino, transacções, etc.) fazendo explodir a tele-realidade de uma sociedade à distância, a problemática que se coloca: é podem a interação/intervenção políticas escapar a estas transformações? Comunicar é comungar e a polis é o lugar por excelência de reunião. A 'cidade' como unidade política tornou-se possível através do uso da palavra e do seu poder de argumentação e pacificação das relações sociais. Logo, os primeiros teóricos políticos (e na pragmatização do político), o lugar do discurso tornou-se fundamental. Em Aristóteles, o homem é duplamente definido como animal social e como animal dotado de uma capacidade linguística, simbólica, i é, oratória. As suas propriedades fundamentais institucionalizam-se nas regras centrais do funcionamento da cidade o que encoraja/incentiva à participação nos assuntos públicos. Cada cidadão tem o direito inerente do igual acesso à palavra (iségoria) na assembleia do povo, onde pode e deve falar livremente. A condenção à morte ou ao exílio é a maneira mais eficaz de eliminar o não-desejado (indesejado). "A comunicação oral era assim eliminatória, e mais nada importava verdadeiramente." [Moses Finlay em A Invenção do Político] Compreende-se até que ponto a comunicação política constituia uma problemática de ordem prática universal e permanente. Mas ela, constitui também para aqueles que a querem estudar um problema teórico onde, tornando-se difícil delimitar o seu raio de acção; porque a comunicação moderna é caracterizada pela ubiquidade e a política não se resume a um espaço e tempo socialmente fechados. A isto, acrescenta-se o facto de quotidianamente ser possível fazer acerção aos factos sociais e políticos recorrendo à metáfora comunicacional, até porque nos é impossível pensar o elo social dissociado da comunicação.
A comunicação política apresenta-se portanto, como um conjunto díspar de teorias e técnicas, mas ela designa também práticas directamente políticas. Ela inspira, com efeito, estratégias e condutas que variam de acordo com a posição de dos actores de poder e as situações vividas pelos mesmos na acção política.

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