Artigos, term papers e trabalhos de comunicação política

01/09/2007

INTRODUçÃO

A história e a sociologia demonstram que por vezes determinados objectos de investigaçao seguem um rumo curioso. A comunicaçao política faz parte destes que seguem seguramente uma trajectória diferente, diríamos mesmo, estranha! Estamos perante um objecto de investigaçao considerado como ilegítimo, trivial; para alguns mesmo inexistente. A problemática que se coloca neste momento da história evolutiva desta disciplina é sobretudo estimulada pela curiosidade que a mesma desperta e estimula mesmo se, ela é mais solicitada com entusiamo pela comunicação do que pelas vicissitudes da política.
Argumenta-se com à vontade por todo o mundo democrático da crise da representação política, da decepção democrática, da desordem eleitoral (alguns alinhados em torno da crise do sistema) ou do antipolitismo uma vez que a influência, a explosão, a revolução mesmo da noção de culto são associados à comunicação। Mesmo em presença de uma sociologia crítica e vivaz da comunicação, devemo-nos interrogar contudo, sobre a hipotética existência de uma correlação negativa entre estas duas disciplinas que poderá implicar ou até indicar um sinal de causalidade. Com pequenos e pontuais apontamentos, tentaremos dimensionar o assunto porque, um objectivo tão aberto quanto generalista implica uma acepção de recuo histórico, o que aqui não é o nosso objectivo primordial. A comunicação hoje interessa a toda a gente; basta para tal observarmos os sinais de reconhecimento social. No país dos jacobinos, o exemplo de tal importância é dado pela institucionalização na cúpula do Estado, onde a visibilidade é incontestável. A sociedade também compreendeu este fenónemo e converteu-se. A comunicação ganha relevo nas fileiras académicas, nas rubricas dos jornais quotidianos; a génese de uma imprensa especialisada, a criação de profissionais e estruturas dedicados à sua gestão nos sectores público e privado. Alguns autores vão mesmo mais longe e não hesitam em afirmar que a revolução das tecnologias de comunicação no séc. XX terá uma amplitude comparável à revolução insdustrial do século precedente - a sociedade pós-industrial transforma-se numa sociedade de informação ou de comunicação. Os economistas, como Porat, confirmam esta transformação a partir do momento em que propõem a substituiçâo da clássica teoria classificativa das actividades à dicotomia da produção material e imaterial.
A percentagem de população activa e a parte substancial de dejectos provocados pelos bens imateriais, provam entre outro, que assisitmos a profundas mudanças que afectam as sociedades tecnologicamente avançadas. Se os média mudam as formas societais (trabalho, ensino, transacções, etc.) fazendo explodir a tele-realidade de uma sociedade à distância, a problemática que se coloca: é podem a interação/intervenção políticas escapar a estas transformações? Comunicar é comungar e a polis é o lugar por excelência de reunião. A 'cidade' como unidade política tornou-se possível através do uso da palavra e do seu poder de argumentação e pacificação das relações sociais. Logo, os primeiros teóricos políticos (e na pragmatização do político), o lugar do discurso tornou-se fundamental. Em Aristóteles, o homem é duplamente definido como animal social e como animal dotado de uma capacidade linguística, simbólica, i é, oratória. As suas propriedades fundamentais institucionalizam-se nas regras centrais do funcionamento da cidade o que encoraja/incentiva à participação nos assuntos públicos. Cada cidadão tem o direito inerente do igual acesso à palavra (iségoria) na assembleia do povo, onde pode e deve falar livremente. A condenção à morte ou ao exílio é a maneira mais eficaz de eliminar o não-desejado (indesejado). "A comunicação oral era assim eliminatória, e mais nada importava verdadeiramente." [Moses Finlay em A Invenção do Político] Compreende-se até que ponto a comunicação política constituia uma problemática de ordem prática universal e permanente. Mas ela, constitui também para aqueles que a querem estudar um problema teórico onde, tornando-se difícil delimitar o seu raio de acção; porque a comunicação moderna é caracterizada pela ubiquidade e a política não se resume a um espaço e tempo socialmente fechados. A isto, acrescenta-se o facto de quotidianamente ser possível fazer acerção aos factos sociais e políticos recorrendo à metáfora comunicacional, até porque nos é impossível pensar o elo social dissociado da comunicação.
A comunicação política apresenta-se portanto, como um conjunto díspar de teorias e técnicas, mas ela designa também práticas directamente políticas. Ela inspira, com efeito, estratégias e condutas que variam de acordo com a posição de dos actores de poder e as situações vividas pelos mesmos na acção política.

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